CULTURA
Os 12 que bastam

Os 12 que bastam
Vivemos em um país com mais de 220 milhões de habitantes. Em tempos de redes sociais, seguidores e métricas de popularidade, é comum acreditar que o sucesso de uma missão depende de multidões. No entanto, a história insiste em nos ensinar outra lição.
Há uma ideia muito difundida de que, quando 12 pessoas acreditam verdadeiramente em um propósito, já existe uma base suficiente para transformar uma realidade. Mais do que um número, os doze representam a força de um grupo comprometido.
O desafio é compreender que esse grupo jamais será perfeito.
Sempre haverá quem tenha medo, quem vacile, quem desanime diante das dificuldades ou até mesmo quem decepcione aqueles que depositaram confiança. Isso faz parte da natureza humana. Esperar perfeição das pessoas é criar uma expectativa que inevitavelmente produzirá frustrações.
Líderes maduros entendem que o papel de quem conduz uma missão não é formar um grupo de pessoas impecáveis, mas reunir indivíduos capazes de colocar seus talentos a serviço de um objetivo maior. Competências podem ser identificadas desde o primeiro encontro. O caráter, entretanto, revela-se apenas na convivência, nas crises, nas escolhas difíceis e na passagem do tempo.
Essa talvez seja uma das maiores lições deixadas pela narrativa cristã. Jesus não reuniu homens perfeitos. Escolheu pessoas comuns, com histórias diferentes, limitações evidentes e personalidades distintas. Alguns demonstraram coragem extraordinária, outros vacilaram diante do medo, houve quem duvidasse, quem negasse e até quem o traísse. Ainda assim, a missão continuou.
Isso não significa ignorar erros ou relativizar responsabilidades. Significa compreender que ninguém conhece integralmente o coração humano antes de caminhar ao lado dele.
Por isso, talvez devamos investir menos energia procurando pessoas perfeitas e mais tempo construindo equipes competentes, comprometidas e abertas ao crescimento. A caminhada revelará quem permanecerá fiel ao propósito e quem seguirá outro caminho.
No fim, as grandes transformações da história quase nunca começaram com multidões. Começaram com pequenos grupos de pessoas que decidiram acreditar em uma missão maior do que seus próprios interesses.
Talvez seja exatamente disso que o nosso tempo precise: menos obsessão por números e mais compromisso com propósito.
Patrícia Lane
Jornalista – DRT 6213/BA
Diretora da Rede Sempre TV e da Rádio do Trabalhador
Mestranda em Memória Audiovisual da Indústria Baiana – SENAI CIMATEC
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