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Cilene Santana traça caminhos para lidar com as emoções infantis
Compreendendo as emoções das crianças de 6 a 12 anos e fortalecendo os vínculos familiares.
Cilene Santana estará palestrando no Workshop Mulher 50+ no próximo dia 08/08, uma oportunidade para país e mães conhecerem mais sobre o universo das emoções infantis
Confira a entrevista com a pisicanalista Cilene Santana, especialista na primeira infância:
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Entre os 6 e os 12 anos, a criança passa por muitas mudanças. Quais são os principais desafios emocionais dessa fase?
Ciliene Santana de Alcântara:
Essa é a fase da “latência” e do início da pré-adolescência. A criança sai do mundo muito centrado na família e começa a se comparar, a buscar aceitação no grupo, na escola. Os principais desafios são: lidar com frustração, autoestima, regras sociais, e o medo de não dar conta. É quando surgem muitas inseguranças sobre “ser capaz” e “ser aceito”.
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2. Como os pais podem perceber que um comportamento é apenas uma fase do desenvolvimento e quando ele pode indicar que a criança precisa de acompanhamento psicológico ou psicanalítico?
Ciliene Santana de Alcântara:
Toda fase tem altos e baixos. É normal birra, medo, queda de rendimento pontual. O sinal de alerta é quando o comportamento persiste por mais de 3 meses, atrapalha a rotina da criança – escola, sono, amizades, alimentação – e causa sofrimento pra ela mesma. Quando os pais já tentaram diálogo, limites e acolhimento e nada muda, é hora de buscar ajuda profissional.
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3. Muitas crianças têm dificuldade para falar sobre o que sentem. Como os pais podem ajudá-las a expressar suas emoções?
Ciliene Santana de Alcântara:
Nomeando. A criança sente, mas não tem palavra. Em vez de “para de chorar”, diga: “Vi que você ficou triste porque perdeu o jogo, né?”.
Brincar, desenhar e ler histórias também ajuda muito.
E o principal? o adulto precisa validar.
Sentimento não se corrige, se acolhe. “Tudo bem sentir raiva. O que não podemos é bater”.
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4. Ansiedade, irritabilidade, isolamento e dificuldades na escola têm sido cada vez mais frequentes. O que pode estar por trás desses comportamentos?
Cliente Santana de Alcântara:
Muitas vezes é um pedido de ajuda disfarçado. Pode ser excesso de cobrança, mudanças na família, bullying, falta de tempo de qualidade, ou o excesso de telas que sobrecarrega o cérebro. A criança não fala “estou ansiosa”, ela manifesta no corpo e no comportamento. Precisamos olhar para o contexto dela, não só para o sintoma.
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5. Qual é a importância do diálogo e da escuta ativa dentro da família para o desenvolvimento emocional das crianças?
Ciliene Santana de Alcântara:
A escuta ativa é o alicerce da segurança. Quando a criança sente que pode falar e será ouvida sem julgamento, ela aprende a confiar em si e no mundo. Diálogo não é dar sermão. É perguntar, esperar a resposta, olhar no olho. 15 minutos por dia de presença real valem mais que 3 horas com o celular na mão.
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6. Como o excesso de telas e o uso das redes sociais podem impactar o comportamento e a saúde emocional das crianças nessa faixa etária?
Ciliene Santana de Alcântara:
Impacta diretamente na regulação emocional e no sono. As telas dão dopamina imediata, então a criança perde a tolerância ao tédio e à frustração. Além disso, comparam muito cedo a vida real com a vida “perfeita” da internet. O ideal é ter acordo familiar: horário, conteúdo e muito tempo livre para brincar, correr e entediar mesmo.
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7. Muitas mães sentem culpa por não conseguirem dedicar todo o tempo que gostariam aos filhos. Como encontrar equilíbrio entre trabalho, maternidade e presença afetiva?
Ciliene Santana de Alcântara:
Culpa paralisa. Presença não é sobre quantidade, é sobre qualidade. Uma mãe que chega cansada mas consegue sentar 10 minutos para ouvir o dia do filho sem interrupção, já está nutrindo o vínculo. Delegar, pedir ajuda e cuidar de si também é cuidar do filho. Criança precisa de mãe inteira, não de mãe perfeita.
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8. É possível fortalecer a autoestima de uma criança por meio de pequenas atitudes no dia a dia? Quais práticas a senhora recomenda?
Ciliene Santana de Alcântara:
Sim, totalmente. Elogie o esforço, não só o resultado: “Vi como você se dedicou”. Dê responsabilidades de acordo com a idade. Peça opinião: “O que você acha?”. Deixe ela errar e consertar. E principalmente: seja o espelho. A criança se vê através do olhar dos pais. Se você acredita nela, ela aprende a acreditar.
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9. Qual é o maior erro que os adultos cometem ao tentar corrigir o comportamento de uma criança?
Ciliene Santana de Alcântara:
Corrigir a criança em vez do comportamento. Frases como “você é mal educado” viram rótulo na mente dela. O certo é: “Essa atitude não foi legal. Vamos pensar em outra forma?”. Outro erro é corrigir na raiva. Primeiro acolha a emoção, depois coloque o limite. Criança que é corrigida com amor aprende disciplina. Criança que é corrigida com medo só aprende a esconder.
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10. Que mensagem a senhora deixa para as mães de crianças entre 6 e 12 anos que desejam criar filhos emocionalmente saudáveis e preparados para a vida?
Ciliene Santana de Alcântara:
Minha mensagem é: você não precisa dar conta de tudo sozinha. Criar filhos emocionalmente saudáveis é sobre conexão antes de correção. É sobre mostrar que o mundo tem regras, mas também tem colo. Tenha paciência com o processo e com você. Buscar ajuda não é fraqueza, é amor. E lembre: a infância passa rápido, mas as marcas que deixamos ficam pra vida toda.
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