Blog
Aos 78 anos Daisy Jardim, participa do Workshop MULHER 50+

Escritora, palestrantes e mentora de grandes lideranças, Daisy Jardim supera o tempo e segue entregando muito conhecimento e jovialidade, confere a entrevista:
1. Muitas pessoas enxergam a idade como um limite. Em que momento da sua vida a senhora percebeu que ela também poderia ser uma fonte de força, sabedoria e novas possibilidades?
Daisy Jardim:
Durante muito tempo também acreditei que algumas conquistas tinham idade para acontecer. Mas a vida me mostrou o contrário. Apesar de ter conquistado muito em todas as fases da minha vida, posso dizer que muitas das minhas maiores realizações vieram depois dos 70 anos: participei de obras coletivas, publiquei meu primeiro livro solo aos 76 e, aos 78, continuo palestrando, escrevendo e aprendendo todos os dias. A maturidade me trouxe experiência, serenidade e coragem para ser quem sou. Hoje acredito com muita convicção que a idade não limita possibilidades; ela amplia perspectivas.
2. Sua trajetória é marcada por recomeços. A senhora publicou seu primeiro artigo científico aos 70 anos, lançou seu primeiro livro solo aos 76 e continua desenvolvendo novos projetos. O que essas conquistas representam para a sua história?
Daisy Jardim:
Essas conquistas representam a confirmação de que nunca é tarde para começar um novo capítulo. Minha história foi feita de recomeços, desafios, perdas, aprendizados e muita fé. Cada nova realização nasceu da coragem de continuar, mesmo quando a vida me convidava a desistir. Hoje tenho a certeza de que não somos definidos pelo que nos acontece, mas pela forma como escolhemos responder ao que nos acontece. Enquanto houver vida, sempre haverá espaço para novos sonhos.
3. A senhora costuma dizer que “idade não é documento”. O que essa frase significa e como ela se reflete na forma como escolheu viver?
Daisy Jardim:
Essa frase nasceu da minha própria história e da observação da vida. Conheço jovens que desistiram dos seus sonhos e pessoas com mais de 80, 90 e até 106 anos que continuam aprendendo, criando e inspirando. Percebi que idade é apenas uma informação cronológica. O que realmente importa é manter vivo o propósito e a vontade de continuar contribuindo. A idade registra o tempo; a história revela o que fizemos com ele. Por isso digo, com convicção: idade não é documento. É história viva.
4. A sua história também quebra paradigmas na vida pessoal, mostrando que o amor, as amizades e as novas oportunidades não têm prazo para acontecer. Que lição essa experiência deixa para quem acredita que já é tarde para recomeçar?
Daisy Jardim:
A maior lição que aprendi é que a vida não consulta a nossa idade para nos surpreender. Depois de viver um relacionamento valioso no meu primeiro casamento, enfrentar o momento da viuvez e recomeçar anos mais tarde, descobri que o coração também sabe florescer novamente. O mesmo acontece com as amizades, os projetos e as oportunidades. Nunca é tarde para viver algo novo quando mantemos a esperança, a coragem e o coração aberto. A vida sempre encontra uma forma de escrever novos capítulos para quem não desiste de viver.
5. Em sua opinião, qual é a diferença entre envelhecer e acomodar-se? É possível continuar sonhando, aprendendo e realizando em qualquer fase da vida?
Daisy Jardim:
Envelhecer é um processo natural. Acomodar-se é uma escolha. Conheço pessoas muito jovens que desistiram de sonhar e pessoas com idade avançada que continuam cheias de projetos. Acredito que nunca é tarde para aprender, recomeçar ou realizar um sonho. Enquanto houver curiosidade, propósito e vontade de viver, sempre existirão novas possibilidades. O envelhecimento é inevitável. A desistência, não.
6. O que significa envelhecer com propósito?
Daisy Jardim:
Envelhecer com propósito é continuar encontrando sentido na vida. É acordar todos os dias sabendo que ainda posso aprender, contribuir, amar, ensinar e crescer. O propósito nem sempre está nas grandes realizações; muitas vezes, está em uma palavra de incentivo, em um gesto de cuidado ou na oportunidade de transformar a vida de alguém. Envelhecer com propósito é continuar sendo autora da própria história.
7. Quais hábitos ou atitudes ajudam uma pessoa a manter a mente ativa, a autoestima elevada e a vontade de continuar construindo novos capítulos da própria história?
Daisy Jardim:
Acredito que tudo começa pela decisão de não parar de viver por dentro. Cultivar a curiosidade, aprender continuamente, cuidar da saúde, valorizar as boas amizades, manter a fé e ter um propósito fazem toda a diferença. Também é importante agradecer mais verdadeiramente, reclamar menos e compreender que sempre há algo novo para aprender. Quando alimentamos a mente, o coração e a esperança, continuamos escrevendo novos capítulos da nossa história.
8. Qual foi a maior lição que a maturidade lhe ensinou sobre felicidade, realização pessoal e qualidade de vida?
Daisy Jardim:
A maior lição que a maturidade me ensinou foi compreender que felicidade não é ausência de problemas. É a capacidade de encontrar sentido, gratidão e beleza mesmo diante dos desafios. Com o passar dos anos, aprendi a valorizar ainda mais os relacionamentos, a paz interior, a saúde e os momentos simples. Hoje sei que a verdadeira realização não está apenas no que conquistamos, mas na pessoa que nos tornamos ao longo da caminhada.
9. Que mensagem a senhora deixaria para as mulheres 50+ que, por medo ou insegurança, acreditam que seus melhores anos já passaram?
Daisy Jardim:
Eu diria que, enquanto houver vida, sempre haverá possibilidades. Talvez o sonho precise ser adaptado e o caminho seja diferente do que imaginávamos, mas nunca é tarde para aprender, estudar, empreender ou recomeçar. Faça algo que faça seus olhos brilharem e sua alma se alegrar: dance, cante, descubra um novo hobby, pratique um esporte ou realize um antigo sonho. Muitas vezes, não é a idade que nos limita, mas as crenças que cultivamos sobre ela.
A idade passa. O que não pode passar é a nossa vontade de viver.
10. Ao olhar para toda a sua caminhada, qual legado a senhora deseja deixar para as próximas gerações?
Daisy Jardim:
Gostaria de ser lembrada não pelos títulos que conquistei, e sim pelas vidas que toquei. Espero inspirar as pessoas a acreditarem mais em si mesmas, a não desistirem dos seus sonhos e a compreenderem que nunca é tarde para recomeçar. Se eu conseguir despertar essa esperança em alguém, sentirei que cumpri uma parte importante da minha missão. Porque acredito que o verdadeiro legado não está no que acumulamos, e sim nas sementes que deixamos florescer na vida das pessoas.
Mais do que falar sobre idade, falo sobre escolhas. O tempo passa para todos, mas a forma de viver esse tempo continua sendo uma decisão.