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CIDADES

AS MUDANÇAS QUE A PANDEMIA GEROU NAS CIDADES VIERAM PARA FICAR

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ENTENDER O NOVO MODO DE VIDA QUE ESTÁ SURGINDO É ESSENCIAL PARA REPENSAR AS CIDADES DO SÉCULO 21

Todos os que previram que a excepcionalidade gerada pelo coronavírus seria breve e que rapidamente voltaríamos à vida que tínhamos antes se frustraram. Depois de 13 meses e 350 mil mortes, a única certeza é que conviveremos com a Covid-19 por muitos anos, mesmo após a vacinação.

Não se sabe por quanto tempo a vacina gera imunização e quanto ela é eficiente para as novas variantes. Para 89 de 100 pesquisadores questionados pela revista Nature, o Sars-CoV-2 continuará a circular em bolsões e sua transmissão persistirá por décadas, requerendo a continuidade da prevenção. Novos vírus deverão surgir.

A longa duração da pandemia tende a consolidar as tendências de mudanças de comportamento urbano, tanto das pessoas como das empresas, identificadas nesse ano. Todos os aspectos da vida urbana —habitação, trabalho, educação, cultura, espaço público, mobilidade, lazer e entretenimento– foram transformados e as mudanças, positivas ou negativas, vieram para ficar.

Entender o novo modo de vida que está surgindo é essencial para formular políticas públicas capazes de repensar as cidades do século 21. Sintetizei em 20 pontos os impactos da pandemia na vida urbana, baseado em nossas pesquisas e em inúmeros estudos que se debruçaram sobre esse tema, no Brasil e no exterior.

1. A moradia torna-se o lugar central da vida familiar, profissional e social. Passa a ser o lugar do trabalho, do estudo, do lazer, dos exercícios físicos, do relacionamento social. Por essa razão, o direito a habitação ganha enorme centralidade.

2. As empresas, ONGs e órgãos públicos se reorganizam para manter o home office, ainda que alternadamente, em sistema híbrido. Com ferramentas digitais sofisticadas, inteligência artificial e câmeras abertas, as empresas controlam a distância os funcionários e realizam reuniões de trabalho online. Os espaços corporativos (e os custos) são reduzidos.

3. Na educação, cresce a combinação de atividades online com o ensino presencial. Aulas online com os melhores professores e conferências com especialistas de todo o mundo se tornam cada vez mais frequentes.

4. Essas mudanças exigem moradias maiores e melhores, conectadas à internet rápida e com espaços específicos e silenciosos para o home office, educação à distância e recreação, proporcionais ao número de membros do domicílio. Esses requisitos passam a ser obrigatórios para os trabalhadores inseridos no sistema econômico formal e para a qualificação profissional, excluindo os que não os atendem. Apartamentos minúsculos e estúdios, tendência no mercado imobiliário, tornam-se inadequados.

5. Sem políticas públicas para garantir o acesso a uma habitação com esses requisitos, incluindo a conectividade, para a população de baixa renda, a desigualdade social e urbana tornar-se-á ainda maior.

6. Para além de ser um direito urbano fundamental, a pandemia evidenciou a necessidade de urbanizar e sanear os assentamentos precários como uma medida essencial para a prevenção sanitária das cidades.

7. A longa permanência na moradia requer repensar o espaço doméstico para compartilhá-lo, de maneira mais harmoniosa, com os outros moradores, com ambientes mais funcionais e acolhedores para as novas funções.

8. Os espaços abertos na habitação (quintais, jardins, varandas e áreas livres nos condomínios ou na vizinhança) tornam-se necessidade e objeto de desejo, sobretudo nas famílias com crianças.

9. Como nem sempre é possível atender a esses requisitos, os conflitos familiares tendem a crescer, gerando separações ou reforçando a tendência dos casais morarem separados, aumentando a demanda por habitação.

10. Com o homeoffice, mesmo híbrido, o deslocamento moradia-trabalho torna-se eventual, permitindo maior flexibilização do local da habitação. Muitas famílias nos estratos médios e altos podem morar longe do local do trabalho, em condomínios fora da cidade, na praia ou no campo. A custos mais baixos, podem ter uma casa maior, com generosas áreas livres. A segregação socioterritorial se aprofunda.

11. Ao reduzir o tempo gasto no deslocamento para o trabalho, as pessoas podem circular mais em seus bairros, fortalecendo o comércio e serviços locais, as relações de vizinhança e as redes de solidariedade local. A economia de bairros pode crescer criando novas centralidades.

12. Em contrapartida, os bairros mais centrais, onde se concentram os empregos no terciário, perdem atratividade. A redução do espaço nos escritórios amplia a disponibilidade de áreas corporativas, imóveis e terrenos. O comércio e serviços no entorno, ligados ao trabalho, perdem grande parte da clientela.

13. Esses bairros podem se tornar decadentes se não forem implementados programas para transformá-los em áreas de uso misto, com mais habitação e serviços de caráter local. Facilitar o retrofit para converter os edifícios comerciais em residenciais é indispensável.

14. A moradia torna-se local de entretenimento. Além da TV, as plataformas digitais pagas (Netflix, Globoplay etc.), os espetáculos teatrais online e lives musicais ampliam o acesso doméstico à cultura, substituindo os cinemas, teatros e casas de show. Com sofisticados equipamentos de projeção e telas grandes, requerem espaços maiores e mais reservados.

15. Com o prolongado isolamento, o entretenimento na moradia e o delivery na gastronomia, espaços culturais, de entretenimento e de gastronomia (teatros, cinemas, casas noturnas, bares, restaurantes, etc.) fecham definitivamente, pois a forte redução na frequência os tornam economicamente inviáveis.

16. Esse setor é ainda impactado pela drástica redução do turismo de negócios e eventos. Reuniões de trabalho, congressos profissionais e simpósios acadêmicos se mantêm virtuais, afetando a infraestrutura que foi criada para sustentá-los. Já o turismo de lazer deve ser menos afetado.

17. Embora o desejo de ir para os espaços e equipamentos públicos continue forte, seu uso para eventos culturais de massa, tendência antes da pandemia, deve ser controlado para evitar aglomerações, perdendo audiência.

18. A procura por locais abertos para recreação, como parques, praças e áreas livres, continuará grande, ampliando a reivindicação por mais espaços públicos de qualidade.

19. Os modais individuais motorizados (carros e motos) e ativos (bicicletas e a pé) aumentam sua participação na mobilidade por garantirem maior isolamento e por estarem mais adequados às transformações na relação moradia-trabalho, em detrimento do transporte coletivo.

20. Em consequência, se aprofunda a crise do sistema de transporte coletivo, insustentável sem uma lotação mínima e demanda regular. Sem equilíbrio financeiro e medidas de prevenção para garantir o isolamento físico, o serviço organizado de transporte público pode se inviabilizar.

Esse novo quadro significa, provavelmente, a maior alteração urbana desde a consolidação da moderna cidade industrial. As mudanças tornam necessário uma reformulação do pensamento urbanístico, ainda fortemente marcado pelo movimento moderno, lançando novos desafios para o planejamento urbano.

O modo de morar e de viver preconizado por esse cenário, embora possa ter alguns aspectos positivos, tende a reforçar o individualismo, o isolamento entre as pessoas e a segregação, além de desestimular a convivência no espaço público. Ele pode gerar uma cidade ainda mais desigual, onde uma grande parte da população é excluída das oportunidades urbanas. Essa perspectiva precisa ser enfrentada com políticas públicas que se contraponham a essas tendências.

TEXTO:

Nabil Bonduki
Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, foi relator do Plano Diretor e Secretário de Cultura de São Paulo.
FONTE:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nabil-bonduki/2021/04/as-mudancas-que-a-pandemia-gerou-nas-cidades-vieram-para-ficar.shtml

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Bruno Reis participa da abertura do Connected Smart Cities nesta quinta (18) no Centro de Convenções

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O prefeito Bruno Reis participa nesta quinta-feira (18), a partir das 9h, no Centro de Convenções de Salvador, da abertura da edição do Nordeste do Connected Smart Cities, maior e mais importante evento de conexões e negócios de Cidades Inteligentes do país. O evento terá 28 horas de conteúdo em seis palcos simultâneos, contando com 18 painéis e mais de 100 palestrantes, entre eles o prefeito de Salvador, Bruno Reis.

O Connected Smart Cities vai abordar temas cruciais para o avanço das cidades nordestinas, como Cidades Prósperas, Cidades Empreendedoras, Cidades Participativas e Engajadas, Urbanismo Sustentável, Cidades Conectadas, Cidades Resilientes e Inclusivas, Mobilidade Ativa, Data Analytics, Tendências e Conectividade e Integração. Os participantes terão acesso a rodadas de negócios, workstations e uma exposição com as soluções e tecnologias mais inovadoras para a região.

Para participar do evento, profissionais de imprensa devem se credenciar por meio do link: https://www.sympla.com.br/evento/csc-regional-nordeste/2302949?token=5bed514260023723be4a8f8d9d1e63b9

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Governador anuncia obras de pavimentação e educação para o município de Paratinga

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O governador Jerônimo Rodrigues anunciou na tarde desta quarta-feira (14), obras de pavimentação e educação para o município de Paratinga, no Oeste da Bahia. As assinaturas aconteceram no Centro de Operações e Inteligência da Segurança Pública (COI), em Salvador, e contou com a presença de secretários estaduais e representantes políticos da região.

Na área de infraestrutura, o anúncio da licitação para a pavimentação da BA-160, com acesso ao distrito de Águas do Paulista, conhecido por suas águas termais, foi o momento mais esperado. A obra, que será realizada pela Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia (Seinfra), terá 16,7 quilômetros de extensão e um investimento de R$ 17,3 milhões de reais.

“Uma agenda importante, um asfalto para uma região turística, que vai beneficiar os moradores e àqueles que vão visitar Bom Jesus da Lapa e precisa passar pela região. Estamos garantindo aqui, o turismo rural e a geração de renda local”, declarou Jerônimo Rodrigues.

Ainda foram anunciadas mais três obras importantes. A primeira compreende o início da implantação de cinco quilômetros de ciclofaixa, desde a nova rodoviária até o acesso à Bom Jesus da Lapa, que vai trazer mais segurança para pedestres e estudantes da Escola Estadual Evandro Brandão. A autorização para iniciar o processo licitatório para a pavimentação asfáltica no Distrito de Volta da Serra e a assinatura do convênio para a construção de uma escola novinha, com oito salas, para o distrito quilombola de Canabrava, também fizeram parte dos atos do encontro.

O prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro Carvalho, comemorou as entregas para o município que vão beneficiar 30 mil habitantes. “Não é só Paratinga que ganha, mas o estado como um todo. Vamos colocar o distrito de Paulista como roteiro turístico para a Bahia e trazer mais inclusão e modernidade para os nossos alunos”, afirmou.

Repórter: Simônica Capistrano/GOVBA

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Jerônimo prestigia saída do bloco Zero Hora que desfila pela conscientização e solidariedade na Micareta de Feira 2024

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Nesta quarta-feira (17), véspera da aguardada Micareta 2024 em Feira de Santana, o tradicional bloco Zero Hora, composto por profissionais da comunicação da região, desfilou mais uma vez pelas ruas da cidade, trazendo sua animação característica. O governador Jerônimo Rodrigues esteve presente durante o desfile. Este ano, o desfile teve um diferencial significativo: o apoio à campanha “Bahia Sem Fome”, promovida pelo Governo do Estado.

“Vamos prestigiar com muita alegria esta micareta iniciada aqui pelos profissionais do jornalismo, no Zero Hora. Fico muito feliz em ver o bloco retomando com força”, declarou o governador, destacando ainda a importância do tema do  Zero Hora, este ano, para desmistificar as mentiras que circulam nas redes sociais.

Frequentador da festa desde antes de se tornar professor na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Jerônimo pontuou o tamanho do maior carnaval fora de época do Brasil. “Eu sei da importância econômica e cultural do micareta de Feira de Santana. Acho que a riqueza que nós temos aqui esse ano, homenageando Jorge de Angélica; um artista que integra um grupo de artistas e cantores negros de Feira de Santana, cidade que tem muitos valores culturais, como os blocos afros, os grupos de capoeira, tudo isso é suficiente para receber nosso apoio tanto aqui na sede, quanto nos distritos”, enfatizou o governador.

As camisetas do Bloco Zero Hora foram adquiridas mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, em apoio à campanha “Bahia Sem Fome”, do Governo do Estado. Um posto de troca e arrecadação de alimentos foi instalado no Centro de Cultura Amélio Amorim para facilitar a participação dos interessados. Essa iniciativa se destina a combater a fome e a insegurança alimentar entre as comunidades mais vulneráveis do estado, garantindo o acesso à alimentação básica para aqueles que mais precisam.

Conscientização

O Bloco Zero Hora, criado na década de 80 pelo empresário Edson Felzemburgh, mantém sua tradição de reunir jornalistas e seus convidados para uma prévia animada da Micareta. O trajeto do bloco teve início no antigo Ponto do Zequinha e seguiu no sentido contrário do circuito Maneca Ferreira. Este ano, o tema escolhido foi ‘Só vai atrás da fake news quem já morreu’.

“Estamos vivendo tempos em que a desinformação se espalha mais rápido do que nunca. Queremos usar nossa festa para lembrar a todos que é crucial verificar as informações, antes de compartilhá-las. A conscientização é fundamental para combater esse problema que afeta a todos nós”, afirmou Reginaldo Pereira, um dos fundadores do bloco.

Maior do Brasil

Em 2024, o Governo do Estado marca presença, mais uma vez, na Micareta de Feira de Santana, com ações e serviços que envolvem diversas secretarias e órgãos, para garantir a segurança, diversão e também direitos do folião. A tradicional festa do município, considerada a maior micareta do Brasil, será realizada entre os dias 18 e 21 de abril, com ações que celebram a cultura e a identidade do povo baiano. Este ano, o Governo do Estado vai homenagear o cantor e compositor Jorge de Angélica, ícone do reggae do município e da Bahia, que morreu no ano passado.

Em 2024, a festa contará com o apoio do Programa Ouro Negro, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), para valorização das entidades de matrizes africanas. Serão apoiados 16 blocos afro, desfilando pelo circuito da folia em Feira de Santana. Além disso, a Secult-BA vai apoiar palcos alternativos e trios sem cordas.

Na quinta-feira (18), os destaques incluem Gabriel Mercury, Filhos de Gandhy e Daniela Mercury. Já na sexta-feira (19), o público poderá curtir os shows de Saiddy Bamba e Malê Debalê. No sábado (20), a festa continua com apresentações de Didá, La vem Elas e Paula Sanffer. E no domingo (21), a programação conta com Adelmario Coelho, Aila Menezes e Roça Sound.

O Secretário da Secult-BA, Bruno Monteiro, ressaltou a importância do apoio do governo para a realização da festa. “Além dos tradicionais blocos afro apoiados pelo programa Ouro Negro, a Secult também estará presente nos palcos alternativos e trios sem cordas, garantindo uma programação diversificada que valoriza a pluralidade da cultura baiana”, afirmou Bruno Monteiro.

Repórter: Tácio Santos

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