Connect with us

DESTAQUE

Evangélicos concentram forças na justiça social

Published

on

 

Confira a entrevista com Gutierres Barbosa – Coordenador Nacional do Setorial InterReligioso do Partido dos Trabalhadores

 

Patrícia Lane: O senhor tem participado da organização de encontros com evangélicos em diferentes estados do Brasil. Qual é o principal objetivo dessas atividades?

Gutierres Barbosa: O principal objetivo é fortalecer a organização dos evangélicos do campo democrático e progressista em todo o Brasil. Desde 2015, esse trabalho tem crescido de forma muito significativa. Hoje, tanto o Núcleo de Evangélicos e Evangélicas do PT (NEPT) quanto o Setorial Inter-religioso estão organizados nos 27 estados da Federação e têm atuado de forma integrada, construindo uma ampla rede de diálogo com lideranças religiosas.

Advertisement

Esse movimento vai além da organização interna do Partido dos Trabalhadores. Ele reúne cristãos e cristãs comprometidos com a democracia, a justiça social, os direitos humanos e a defesa da dignidade da vida. Um exemplo desse fortalecimento foi a realização da quarta edição do Encontro Nacional de Evangélicos, além dos inúmeros encontros estaduais e regionais que já estão acontecendo e continuarão sendo realizados em todo o país.

Essas atividades têm como objetivo ampliar o diálogo, fortalecer a formação política das lideranças religiosas, combater a desinformação e construir pontes entre a fé cristã e os valores democráticos. Ao mesmo tempo, reafirmam um projeto popular comprometido com quem mais precisa, com a redução das desigualdades, o combate à fome, a valorização do trabalho e a construção de um país mais justo e solidário

Patrícia Lane: Como tem sido a receptividade dos encontros realizados em diferentes regiões do país?

Gutierres Barbosa: A receptividade tem sido extremamente positiva. Em todos os encontros que realizamos, contamos com uma participação expressiva de lideranças e membros de diversas denominações evangélicas. Estão presentes representantes de igrejas históricas, como Assembleias de Deus, Batistas, Metodistas e Presbiterianas, além de igrejas independentes e de diferentes convenções evangélicas espalhadas pelo Brasil.

Essa diversidade demonstra o interesse crescente pelo diálogo e evidencia a capilaridade desse trabalho em diferentes regiões do país. Cada vez mais pessoas percebem que, dentro do Partido dos Trabalhadores, existe um espaço organizado para acolher, ouvir e dialogar com o segmento evangélico, sempre com respeito à liberdade religiosa e à pluralidade de pensamentos.

Advertisement

Mais do que promover encontros, estamos construindo relações de confiança. As comunidades evangélicas querem ser ouvidas, participar do debate público e contribuir para a construção de políticas que promovam justiça social, dignidade humana e fortalecimento da democracia. É isso que temos encontrado em cada estado por onde passamos.

Patrícia Lane: Na sua avaliação, por quais razões milhares de evangélicos apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

Gutierres Barbosa: Os dados das pesquisas mais recentes ajudam a compreender esse movimento. Entre maio e julho, por exemplo, a pesquisa Quaest registrou um aumento da aprovação do governo Lula entre os evangélicos, passando de 30% para 37%. No mesmo período, houve uma redução na intenção de voto em Flávio Bolsonaro nesse segmento, de 49% para 39%.

Esses números indicam que uma parcela crescente dos evangélicos tem ampliado o acesso a informações de diferentes fontes e avaliado o governo a partir de suas ações concretas. À medida que o debate público se torna mais qualificado e a desinformação perde espaço, muitas pessoas passam a conhecer melhor as políticas públicas voltadas para o combate à fome, a geração de emprego e renda, a valorização do trabalho, a inclusão social e o fortalecimento da democracia.

Na minha avaliação, esse processo contribui para que muitos cristãos evangélicos reconheçam que valores como solidariedade, cuidado com os mais vulneráveis, promoção da justiça social e defesa da vida dialogam diretamente com os princípios do Evangelho. É esse encontro entre fé, compromisso social e democracia que tem aproximado um número cada vez maior de evangélicos do projeto representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Advertisement

Patrícia Lane: Quais políticas públicas do governo Lula costumam ser mais valorizadas pelos evangélicos que participam desses encontros?

Gutierres Barbosa: As políticas públicas que mais recebem reconhecimento são justamente aquelas voltadas para a melhoria da vida das famílias brasileiras, especialmente das que mais precisam. Entre elas, destaco o programa Gás para Todos, a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1, atualmente em debate no Congresso Nacional, os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e iniciativas mais recentes, como o programa voltado aos trabalhadores por aplicativo, o Move Brasil.

Essas ações demonstram uma prioridade do governo em ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e garantir mais dignidade às famílias brasileiras. São políticas que alcançam justamente parcelas da população que, durante muito tempo, permaneceram invisibilizadas pelo Estado.

Nos encontros que realizamos, percebemos que muitos evangélicos avaliam essas iniciativas a partir de seus impactos concretos na vida das pessoas. Quando observam o combate à fome, a geração de oportunidades, a valorização do trabalho e a proteção social, identificam nessas ações valores que também dialogam com princípios fundamentais da fé cristã, como o cuidado com o próximo, a solidariedade e a promoção da dignidade humana.

Patrícia Lane: Quais são os próximos passos do Setorial Inter-religioso na construção desse diálogo nacional?

Advertisement

Gutierres Barbosa: Nosso compromisso é dar continuidade a esse trabalho em todas as regiões do Brasil. Vamos seguir realizando encontros, seminários, atividades de formação política e espaços de diálogo nos 27 estados, fortalecendo a organização dos evangélicos comprometidos com a democracia e ampliando a participação das diversas comunidades de fé.

Neste período de mobilização política, também intensificaremos a criação dos Comitês Populares de Luta, estimulando a participação dos segmentos evangélicos e das demais tradições religiosas na construção de espaços de diálogo, escuta e organização popular.

Do ponto de vista da comunicação, continuaremos investindo no enfrentamento à desinformação e às fake news, ampliando a circulação de informações verdadeiras e qualificadas sobre as ações do governo, sobre as políticas públicas e sobre os valores que orientam o diálogo entre fé, democracia e justiça social. Sabemos que muitas distorções foram construídas ao longo dos últimos anos, e nosso papel é contribuir para que a população tenha acesso a informações corretas, fortalecendo um debate público baseado na verdade, no respeito e na responsabilidade.

Acreditamos que a defesa da democracia exige participação social, respeito à diversidade religiosa e compromisso permanente com a justiça social. É nessa direção que continuaremos trabalhando: fortalecendo pontes, promovendo o diálogo e ampliando a participação de pessoas de fé na construção de um Brasil mais democrático, solidário e inclusivo.

 

Advertisement
Continue Reading
Advertisement