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BRASIL DE POBRES E RICOS

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ARTIGO | Governar para todos: declaração de Lula reacende debate sobre união nacional e papel dos contribuintes

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que “não me candidatei para governar para os ricos” reacendeu um antigo debate sobre a comunicação política e a necessidade de construir pontes entre os diferentes setores da sociedade. A fala ocorreu em um contexto de defesa das políticas voltadas à redução das desigualdades sociais.

Embora o objetivo declarado seja reforçar o compromisso do governo com a população mais vulnerável, declarações que estabelecem uma distinção entre “ricos” e “pobres” podem ser interpretadas por parte da sociedade como um discurso que amplia divisões em um país que já vive um ambiente de forte polarização política.

Em uma democracia, governar significa administrar um Estado sustentado pela contribuição de todos os brasileiros. Trabalhadores, empreendedores, comerciantes, industriais, produtores rurais e profissionais liberais participam desse esforço coletivo por meio do pagamento de impostos, taxas e contribuições que financiam serviços essenciais e políticas públicas.

É justamente essa arrecadação que permite ao Estado investir em saúde, educação, assistência social, infraestrutura, segurança pública e programas de transferência de renda. Em outras palavras, políticas públicas não existem sem recursos públicos, e esses recursos são provenientes da atividade econômica desenvolvida por milhões de cidadãos e empresas.

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Isso não diminui o papel do Estado na promoção da justiça social nem reduz a importância de programas voltados às populações em situação de vulnerabilidade. Ao contrário, reforça a ideia de que o combate às desigualdades depende da colaboração entre governo, iniciativa privada e sociedade civil.

Ao assumir a Presidência da República, qualquer governante passa a representar toda a nação, independentemente da condição econômica, da preferência política ou da origem social de cada cidadão. Nesse contexto, a expectativa de parte da sociedade é que a comunicação presidencial privilegie mensagens capazes de fortalecer a união nacional, reconhecendo que o desenvolvimento econômico e a inclusão social são objetivos complementares, e não excludentes.

Mais do que separar brasileiros entre ricos e pobres, o desafio permanente de qualquer governo é construir um ambiente em que todos se sintam parte do mesmo projeto de país: aqueles que empreendem, aqueles que trabalham, aqueles que produzem riqueza e aqueles que dependem das políticas públicas para superar situações de vulnerabilidade.

Afinal, um Brasil mais justo também depende de um Brasil economicamente forte, onde crescimento, arrecadação e responsabilidade social caminhem lado a lado.

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Patrícia Lane
Jornalista Política – DRT 6213/BA

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