Campus Party: Pesquisadoras em tecnologia explicam como vencem machismo

Referência na pesquisa em tecnologia em como lidar com o lixo, a brasileira Angela Oliveira apresentou na Campus Party 2022 uma palestra sobre “Termoquímica Catalítica”. O nome complicado, na verdade, tem relação com um tratamento térmico com materiais inservíveis, e que geram produtos para uso humano, como óleo e carvão. Apesar de ser reconhecida até pela Nasa, um dos desafios na carreira dela foi ter o reconhecimento em espaços ocupados majoritariamente por homens.
Angela teve seu nome registrado na Nasa devido a uma homenagem realizada por um dos engenheiros chefes da companhia, por reconhecimento e suporte prestados pela brasileira ao American Space Program. Ela apresentou a palestra “Lixo: problema ou solução?”.

Angela Sousa na palestra “Lixo: problema ou solução?” (Foto: Vitor Oliveira)
Ao ser questionada sobre o empoderamento dentro de uma comunidade que é composta, majoritariamente, por homens, a pesquisadora afirma que, hoje em dia, se sente privilegiada por ser mulher. “Olha, no princípio, era mais difícil. Depois que eu comecei a mostrar o que a gente estava fazendo, hoje acho que é uma grande vantagem ser mulher no meio disso tudo”, afirma.

Machismo velado

Lígia Sousa, 24, gerenciadora de projetos tecnológicos, também presente na Campus Party, afirma que sofre com o machismo velado. “É normal acontecer de, pessoas no ramo da tecnologia, maioria do sexo masculino, se referenciar às mulheres de forma machista, mas sem perceber.”

Além disso, ela explica que chegou a passar até por isso com pessoas próximas. “Eles se julgam superiores porque tiveram mais contato”. No entanto, sua mãe é programadora e joga RPG (role-playing game) por hobbie, assim como Lígia. “Ela sempre me incentivou a estar nesse mundo da tecnologia, a não depender dos homens, e continuar jogando se for da minha vontade”.
Apesar de gostar muito do meio tecnológico, ela não pretende se profissionalizar. “Jogo apenas por hobbie”, afirma.

 

Jennifer de Paula